O Gap de Abertura do Mini Indice Fecha no Mesmo Dia? 71,8% das Vezes — e 24,6% Quando Passa de 2%

O Gap de Abertura do Mini Índice Fecha no Mesmo Dia? 71,8% das Vezes — e 24,6% Quando Passa de 2%

Depende do tamanho. Em 3.142 pregões do mini índice entre 03/01/2014 e 08/09/2026, o preço voltou a tocar o fechamento do dia anterior em 2.257 sessões — 71,8%. Esse número sozinho é o que a frase "gap sempre fecha" quer vender. Ele é puxado para cima pelos gaps minúsculos: abaixo de 0,1% o toque acontece em 96,1% dos casos. Acima de 2%, acontece em 24,6% — 57 casos, tratados aqui como observação de cauda, não como padrão operacional.

Medição sobre "market_bars", símbolo WINFUT, barras diárias, em 09/09/2026. Gap definido como abertura de hoje contra fechamento de ontem. Preenchimento definido como a mínima do dia menor ou igual ao fechamento anterior (gap de alta) ou a máxima maior ou igual ao fechamento anterior (gap de baixa). Consultas no fim.

O que conta como gap nesta medição?

Qualquer diferença entre a abertura de hoje e o fechamento de ontem, inclusive a de 0,01%. Não há um corte de "gap de verdade" escondido no meio da conta. O corte que existe é outro: gaps com módulo acima de 8% foram excluídos como residual de rolagem do contrato contínuo. Sobraram 3.142 de um recorte que começava em 03/01/2014.

Essa definição é deliberadamente honesta e deliberadamente dura com a lenda. Se a regra popular é "o gap fecha", ela tem de valer para o gap que o operador realmente vê na abertura — o pequeno, que é a maioria — e para o grande, que é o que a memória guarda. Misturar os dois num único percentual é o truque que faz 71,8% parecer uma lei.

O gap médio com sinal foi +0,012%, praticamente zero. O gap médio em módulo foi 0,46%. Ou seja: a abertura do mini, nesta série, não tem um viés sistemático para cima ou para baixo; tem um deslocamento típico de menos de meio ponto percentual, e uma cauda que a média esconde.

Quantas vezes o preço volta a tocar o fechamento de ontem?

Em 71,8% dos 3.142 pregões. Gaps de alta (abertura acima do close anterior) foram 1.607 e preencheram em 69,9%. Gaps de baixa foram 1.486 e preencheram em 72,9%. A diferença entre os dois lados é de 3 pontos percentuais — pequena demais, nesta amostra, para sustentar a história de que "gap de baixa fecha mais".

O que decide não é o lado. É o tamanho.

| Módulo do gap | Pregões | % que tocou o close anterior | Retorno médio abertura→fechamento | % de dias positivos no pregão |

| 0 a 0,1% | 508 | 96,1% | −0,004% | 50,8% |

| 0,1 a 0,3% | 973 | 84,8% | −0,033% | 48,6% |

| 0,3 a 0,6% | 949 | 67,3% | +0,029% | 51,8% |

| 0,6 a 1,0% | 439 | 50,1% | +0,063% | 52,8% |

| 1,0 a 2,0% | 216 | 32,9% | +0,059% | 49,5% |

| Acima de 2,0% | 57 | 24,6% | +0,095% | 50,9% |

Amostra: WINFUT diário, 03/01/2014 a 08/09/2026. 3.142 gaps após excluir módulo > 8%. Retorno do pregão é close contra open do mesmo dia, bruto.

A escada é monotônica: quanto maior o gap, menor a chance de o preço voltar ao close de ontem no mesmo pregão. De 96% para 25% não é ruído de tabela. É o dado que a regra única esconde.

A coluna da direita existe para impedir a segunda lenda, a que vem depois da primeira: "se o gap não fechou, o dia continua no sentido do gap". O percentual de pregões que fecham acima da abertura fica entre 48,6% e 52,8% em todas as faixas — inclusive na faixa acima de 2%, com 50,9% em 57 casos. Preencher ou não o gap não se traduz, nesta amostra, em um dia que "segue o gap" com frequência diferente da cara ou coroa.

Gap maior deixa de fechar de verdade, ou a amostra é que é pequena?

Os dois, em faixas diferentes. Até 1% as contagens são grandes (508, 973, 949, 439) e a queda do preenchimento é estável. A faixa de 1% a 2% ainda tem 216 pregões — acima do piso de 30 — e já está em 32,9%. A faixa acima de 2% tem 57 casos: serve para mostrar a direção da escada, não para cravar um percentual operacional. Um único ano com três gaps enormes desloca esses 24,6%.

O que a amostra não sustenta é o inverso da lenda: "gap grande nunca fecha". Um em cada quatro ainda toca. Quem vende a certeza nos dois sentidos — sempre fecha, nunca fecha — está vendendo uma frase que a tabela recusa nas duas pontas.

Segunda-feira tem o maior gap de abertura?

Sim, nesta série. O módulo médio da abertura de segunda contra o fechamento de sexta foi 0,543%. Quarta-feira teve o menor: 0,414%. O preenchimento acompanha: segunda preenche em 67,2% dos casos, a menor taxa da semana; quarta preenche em 74,6%, a maior.

| Dia | Pregões | Gap médio em módulo | % preenchido |

| Segunda | 625 | 0,543% | 67,2% |

| Terça | 632 | 0,447% | 70,7% |

| Quarta | 637 | 0,414% | 74,6% |

| Quinta | 623 | 0,443% | 74,2% |

| Sexta | 625 | 0,457% | 72,5% |

Amostra: os mesmos 3.142 gaps, agrupados pelo calendário do pregão de abertura.

O fim de semana é a pausa mais longa da semana regular, e o gap de segunda é o único que atravessa dois dias sem pregão. A medição confirma o que a microestrutura sugere: o deslocamento médio é maior, e o toque no close de sexta é menos frequente. Confirmar o deslocamento não confirma uma regra de trade. A coluna que faltaria para isso — resultado líquido de comprar o preenchimento toda segunda — não foi calculada, e não cabe inventar.

Há um artigo anterior deste blog que mediu o retorno médio de cada dia da semana no Ibovespa e não encontrou uma "segunda ruim" distinguível de zero. As duas medições convivem: um gap de abertura maior na segunda não é a mesma variável que o retorno de fechamento a fechamento do índice. Quem mistura as duas está respondendo uma pergunta com o número da outra.

Preencher o gap é o mesmo que o dia virar?

Não. Tocar o fechamento de ontem é um evento de trajeto; fechar o dia acima ou abaixo da abertura é um evento de resultado. A tabela de faixas já mostrou que a taxa de dias positivos no pregão (close contra open) não sobe quando o gap é grande e não cai quando o gap é pequeno.

O mecanismo é simples e quase sempre ignorado. Um gap de 0,2% é preenchido por um ruído que cabe dentro da amplitude normal do mini — nesta base, a amplitude média do WINFUT nos dias cruzados com o Ibovespa e o Bitcoin foi 1,90% do fechamento. Um gap de 2% já é da ordem da amplitude do dia inteiro. Pedir que o preço volte 2% e ainda "vire o dia" é pedir dois eventos, não um.

Por isso a lenda sobrevive: o operador se lembra do gap de 2% que voltou, porque doeu ou porque pagou, e esquece os vinte gaps de 0,15% que voltaram sem ninguém anotar. A tabela inverte a memória. O evento comum é o gap pequeno que fecha. O evento raro é o gap grande que fecha.

Isso vira regra de day trade?

Não nesta medição, e não com estes números. Nenhuma linha acima é um backtest de "fade the gap". Não há entrada, não há stop, não há alvo, não há custo. O percentual de preenchimento responde só isto: em que fração dos pregões o caminho do preço passou de novo pelo close de ontem.

Transformar 71,8% em "compre o fade" é o defeito que a skill de artigo deste site existe para impedir. O 71,8% inclui 508 casos em que o gap era menor que 0,1% — casos em que "fade" e "não fazer nada" são a mesma operação com outro nome. O 24,6% da cauda é que seria a operação de verdade, e ele aponta para o lado contrário da lenda: o gap grande, nesta amostra, na maior parte das vezes não volta no mesmo dia.

Se alguém quiser testar o fade, o teste honesto começa pela faixa, não pelo percentual único. E começa declarando que é um backtest, na mesma frase do resultado. Este artigo não fez esse backtest. O resultado dele é N/D.

O "ajuste" do mini índice entra nesta conta?

Não como ajuste oficial da B3. O termo "ajuste mini índice" estava em ascensão no Google Trends Brasil no dia desta medição. O ajuste de liquidação da bolsa é um preço calculado, não a abertura do pregão seguinte. Esta base não tem a série de ajuste oficial — esse número é N/D.

O que foi medido é o gap de abertura, que é o que o gráfico de day trade mostra às 9h. Confundir os dois é o tipo de troca que produz artigo genérico: o leitor buscou "ajuste", o texto entregou uma definição de livro, e nenhum dos dois números — o oficial e o do gráfico — foi medido. Aqui o oficial fica N/D e o do gráfico fica na tabela.

O que a medição não conseguiu responder?

O horário do preenchimento. A barra diária diz se o toque aconteceu, não se aconteceu às 9h05 ou às 16h50. Para o day trade essa diferença é a operação inteira. A base tem WINFUT de 5 minutos a partir de 21/10/2025 — cerca de 23 mil barras, menos de um ano. Usar esse pedaço para datar o preenchimento de 3.142 gaps desde 2014 seria misturar duas amostras e fingir que são uma. O horário do toque, no período longo, é N/D.

O preenchimento no dia seguinte, quando o gap não fechou hoje, também não foi medido. A lenda tem uma versão de dois dias ("fecha até amanhã") que esta rodada não testa.

Custo e slippage de uma ordem na abertura são N/D. A abertura desta série é o open da barra diária, não o preço de um fill.

O que fazer com isso hoje?

A primeira ação é aposentar o percentual único. "O gap fecha 70% das vezes" é verdadeiro e inútil: é verdadeiro porque a maioria dos gaps é pequena, e inútil porque a operação que o operador imagina é a do gap grande.

A segunda é olhar o módulo na abertura antes de olhar o lado. Nesta amostra, a pergunta que muda o número não é "foi gap de alta ou de baixa"; é "foi 0,2% ou 1,5%". Segunda-feira aumenta o módulo médio, e isso é o único fato de calendário que a tabela sustenta.

Nada disso é ordem. É calibragem da frase que o mercado brasileiro repete todo dia às 9h.

Qual é o denominador certo para falar que um gap fecha?

É o conjunto de gaps da faixa que corresponde à pergunta. Os 71,8% usam todos os 3.142 pregões depois da limpeza. Esse denominador responde à curiosidade geral, mas é dominado pelos deslocamentos pequenos. Quem está diante de uma abertura acima de 2% não tem o evento médio da amostra: tem os 57 casos daquela cauda, cuja taxa observada foi 24,6%. Usar o percentual geral naquele instante troca o caso concreto pelo grupo mais conveniente.

A mesma regra vale para o outro extremo. A taxa de 96,1% dos gaps abaixo de 0,1% não autoriza dizer que qualquer gap "quase sempre" fecha. Ela descreve justamente a faixa em que o deslocamento é menor e cabe com mais facilidade dentro da oscilação normal do dia. A tabela não encontrou uma propriedade universal; encontrou uma escada por tamanho. O tamanho não é detalhe da conclusão. É a variável que organiza a conclusão.

Também importa manter no denominador os casos que não agradam à narrativa. A classificação foi feita pelo módulo do gap antes de olhar se houve toque. Separar depois os vencedores, mudar a borda da faixa ou retirar um dia porque "foi notícia" produziria outro percentual. Os cortes declarados e o descarte de módulos acima de 8% fazem parte do método. Sem eles, o número deixa de ser reproduzível.

Por que tocar o fechamento anterior ainda não prova uma entrada executável?

Porque uma barra diária preserva máxima e mínima, mas apaga a ordem dos acontecimentos dentro do pregão. Ela confirma que o preço atravessou o nível em algum momento. Não informa se uma ordem colocada na abertura permaneceu válida até lá, qual desvio ocorreu no envio, quanto tempo o capital ficou exposto nem se o stop teria sido atingido antes do toque. O evento de mercado existe; a operação continua N/D.

Essa diferença fica ainda mais importante nos gaps grandes. Um toque tardio pode aparecer como "preenchido" na tabela e ser incompatível com o risco que um operador aceitaria carregar durante todo o dia. Um toque imediato pode ter spread e slippage que a barra também não mostra. Os dois recebem o mesmo rótulo binário, embora sejam experiências operacionais diferentes. O rótulo serve para estudar o caminho do preço, não para reconstruir um extrato.

Por isso a taxa de preenchimento não deve ser comparada diretamente com taxa de acerto de estratégia. Taxa de acerto exige regra de entrada, saída, invalidação e custo. Aqui a consulta só verifica uma desigualdade entre máxima ou mínima do dia e o fechamento anterior. É uma medição válida e útil, desde que não seja promovida ao objeto que ela deliberadamente não calculou.

O uso prático honesto é transformar a tabela em pergunta de pesquisa. A faixa pequena sugere que o toque é comum, mas talvez pequeno demais para pagar execução. A faixa grande sugere que o toque é raro, embora economicamente mais relevante quando ocorre. Escolher entre essas duas frentes exige um backtest separado. Até ele existir, retorno líquido, drawdown e melhor faixa permanecem N/D.

Procedência

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Full article in Portuguese. Summary of what was measured: 3,142 WINFUT daily opening gaps (Jan 3, 2014 to Sep 8, 2026). Gap = today open versus prior close. Fill = the session traded back through that prior close. Measured Sep 9, 2026.

Key findings:

Not a fade-the-gap backtest. Official B3 settlement ("ajuste") is N/D. Time-of-day of the fill over the long sample is N/D. Gaps larger than 8% were dropped as residual rolls.

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