Swing Trade no Ibovespa: os Proximos 5 Pregoes Continuam o Dia de Alta? 3.143 Casos Dizem que Nao

Swing Trade no Ibovespa: os Próximos 5 Pregões Continuam o Dia de Alta? 3.143 Casos Dizem que Não

Não. Entre 03/01/2014 e 01/09/2026, depois de um pregão de alta do Ibovespa, os cinco fechamentos seguintes renderam +0,240% em média, em 1.620 casos. A base — qualquer bloco de cinco pregões, sem condição no dia zero — rendeu +0,256% em 3.143 casos. A diferença é 0,016 ponto percentual, contra um erro padrão de 0,075 ponto na linha condicional. Quem segura cinco dias "porque o dia veio verde" está pagando o tempo de um swing por uma vantagem que a amostra não separa do acaso.

Medição sobre fechamentos diários do Ibovespa em "market_bars", em 09/09/2026. O horizonte de cinco pregões exige que existam cinco closes à frente; por isso a amostra para em 01/09/2026, não em 09/09. Consultas no fim. Isto não é um backtest de estratégia de swing: não há entrada, saída, stop nem custo. É a descrição do retorno bruto dos cinco fechamentos seguintes, condicionado ao que o dia zero fez.

O que um bloco de cinco pregões rende sem condição nenhuma?

+0,256% na média, com 54,3% dos blocos positivos e erro padrão de 0,055 ponto percentual. O primeiro pregão seguinte, sozinho, rende +0,052% na média, com 51,5% de altas — o mesmo retrato de taxa-base já medido em outros artigos deste blog.

Cinco pregões são o horizonte que a busca por "swing trade" pede: mais que o day trade, menos que o mês. A taxa-base desse horizonte, nesta série, é positiva e estreita. Qualquer regra que prometa "o swing continua" tem de ganhar deste +0,256%, não de zero. Ganhar de zero num índice que sobe na média é o truque mais velho da amostra.

Depois de um dia de alta, os cinco pregões seguintes são melhores?

Não. São indistinguíveis da base.

| Condição no dia zero | Casos | Retorno médio dos 5 pregões seguintes | % de blocos positivos | Erro padrão | Retorno médio do dia seguinte | % de altas no dia seguinte |

| Nenhuma (base) | 3.143 | +0,256% | 54,3% | 0,055% | +0,052% | 51,5% |

| Dia de alta | 1.620 | +0,240% | 54,8% | 0,075% | +0,013% | 50,7% |

| Dia de baixa | 1.522 | +0,271% | 53,7% | 0,082% | +0,092% | 52,4% |

| Alta maior que +1% | 671 | +0,162% | 55,0% | 0,130% | +0,008% | 51,0% |

| Baixa menor que −1% | 588 | +0,360% | 56,0% | 0,154% | +0,167% | 56,6% |

| Alta maior que +2% | 200 | +0,160% | 54,5% | 0,301% | +0,032% | 53,0% |

| Baixa menor que −2% | 189 | +0,520% | 61,9% | 0,359% | +0,322% | 60,3% |

Amostra: Ibovespa diário, 03/01/2014 a 01/09/2026. 3.143 blocos com cinco pregões à frente. Retornos brutos de fechamento a fechamento, sem custo.

Depois de um dia verde, o bloco de cinco dias é +0,240% contra +0,256% da base. Depois de um dia vermelho, +0,271%. As duas linhas cabem dentro do erro uma da outra e da base. A tese de continuação — "o mercado veio forte, o swing segue" — sai da tabela sem vantagem mensurável. A tese de reversão no horizonte de cinco dias também não se segura na linha simples de alta versus baixa.

O dia seguinte isolado conta a mesma história mais curta. Depois de uma alta, o próximo pregão média +0,013% com 50,7% de altas — pior que a base, ainda dentro do ruído. Depois de uma baixa, +0,092% com 52,4%. Quem reduz "swing" a "o dia seguinte" continua sem uma regra que passe do erro padrão.

Um dia de +2% ou −2% muda o quadro?

Muda a ponta da queda; não muda a ponta da alta. Depois de um dia pior que −2%, os cinco pregões seguintes média +0,520% e fecham positivos em 61,9% dos 189 casos. O erro padrão dessa média é 0,359 ponto: a razão entre as duas é 1,45. Isso entra como observação, não como padrão. É o número mais alto da tabela, e é o que tem menos direito de ser promovido a regra.

Depois de um dia melhor que +2%, os cinco pregões seguintes média +0,160% — abaixo da base — com erro padrão de 0,301 ponto em 200 casos. A tese de que um dia muito verde inaugura um swing de cinco dias aponta, se aponta para algum lado, para o lado contrário, e mesmo assim sem atravessar o erro.

A linha de −1% (588 casos, média de cinco dias +0,360%, erro 0,154, razão 2,3 na média contra zero, não contra a base) é a única condicional com amostra grande e média mais alta. Contra a base de +0,256%, a diferença é 0,104 ponto com erro 0,154. Ainda não é uma vantagem que se possa vender como continuação nem como reversão sem mentir sobre o denominador.

Uma sequência de altas seguidas inaugura o swing?

Não de forma que a amostra autorize como padrão. A tabela abaixo condiciona o bloco de cinco pregões ao número de fechamentos positivos consecutivos no dia zero.

| Altas seguidas no dia zero | Casos | Retorno médio dos 5 seguintes | % positivos | Erro padrão |

| 0 (o dia zero não foi alta) | 1.523 | +0,274% | 53,8% | 0,082% |

| 1 | 800 | +0,119% | 52,5% | 0,111% |

| 2 | 402 | +0,222% | 52,5% | 0,145% |

| 3 | 193 | +0,218% | 59,1% | 0,204% |

| 4 | 95 | +0,634% | 61,1% | 0,270% |

| 5 | 53 | +0,661% | 66,0% | 0,408% |

| 6 | 29 | +0,881% | 65,5% | 0,616% |

Amostra: a mesma série do Ibovespa. N = 6 tem 29 casos — abaixo de 30, observação.

As linhas de 1, 2 e 3 altas seguidas estão na base ou abaixo dela. As linhas de 4, 5 e 6 altas têm médias maiores e amostras menores. N = 6 nem atravessa o piso de 30. N = 5 tem erro padrão de 0,408 ponto para uma média de 0,661 — razão 1,6. A escada que a intuição quer ver ("quanto mais altas, mais o swing continua") aparece na ponta e some no erro. Tratar 29 ou 53 casos como "o padrão do swing brasileiro" é o contrário do que esta tabela permite escrever.

Há um artigo anterior neste blog sobre sequências de queda e o pregão seguinte. A pergunta de lá era de um dia; a de agora é de cinco. As duas recusam a versão forte da tese de continuação. Não são o mesmo número e não devem ser citadas uma no lugar da outra.

Cinco pregões são o horizonte certo para chamar de swing?

São o horizonte que a busca pede, não o horizonte que a série elegeu. Nada nesta medição afirma que 4, 6 ou 10 pregões dariam outra história. O que foi medido é cinco, porque cinco é o prazo que a palavra "swing" carrega no uso brasileiro de varejo — o trader que não é day trade e não é posicionamento de meses.

Trocar o horizonte depois de ver o resultado seria outro artigo, e seria um artigo pior: o recorte teria sido escolhido pelo número, não pela pergunta. Por isso 5 ficou fixo antes da conta, e por isso 4 e 6 não aparecem como "robustez" improvisada. Se a pergunta mudar, a consulta muda, e a data da medição também.

Por que a intuição de continuação é tão forte?

Porque o índice sobe na média, e a memória guarda o swing que continuou. Um bloco de cinco pregões é positivo em 54,3% das vezes sem condição nenhuma. "Comprei depois do verde e o swing pagou" é o que a taxa-base já entrega mais da metade das vezes. A confirmação chega; o mecanismo é atribuído ao dia verde; o operador não compara com os cinco dias depois de um vermelho, que nesta amostra pagaram +0,271%.

O segundo mecanismo é a palavra. "Swing" sugere um movimento que já começou e ainda não acabou. A série de preços não deve nada a essa gramática. Um fechamento positivo é um fechamento positivo. Os cinco seguintes são outros cinco fechamentos. A medição trata os dois blocos como o que são — dois pedaços da mesma série — e a vantagem some.

Qual a diferença entre esta medição e um backtest de swing?

Esta descreve o retorno bruto dos cinco closes seguintes. Um backtest de swing escolheria um ativo negociável, um preço de entrada, um preço de saída, um custo e uma regra para os dias em que o bloco de cinco atravessa um evento. Nada disso foi feito.

A consequência é dupla. Primeiro: +0,240% depois de um dia de alta não é o resultado de uma conta. Segundo: se alguém transformar essa condicional em regra ("compro no close verde e vendo cinco pregões depois"), o número que essa pessoa obtiver não é o desta tabela — será outro, e a palavra backtest precisa ir na mesma frase. Este artigo não tem esse número. Ele é N/D.

O Ibovespa desta base também não é o ativo que o swing de varejo costuma clicar. O mini índice é. A substituição silenciosa dos dois é o tema de outro artigo desta mesma rodada; aqui o objeto é o índice, e as conclusões ficam no índice.

O que a medição não conseguiu responder?

O swing em ações individuais. Um índice recupera e continua por composição; uma ação não. Transportar +0,256% em cinco pregões do Ibovespa para um papel é o tipo de atalho que esta base não autoriza. O número do papel é N/D.

O swing com custo. Cinco pregões em futuro têm rolagem possível no meio; cinco pregões em ação têm corretagem nas duas pontas. Nenhum dos dois foi descontado.

O recorte por regime — alta de 2024 versus 2015, por exemplo — não foi aberto nesta rodada. A média de treze anos pode estar escondendo um quinquênio em que a continuação existiu. Pode. Não foi medido. Afirmar que não existiu em nenhum regime seria mentir sobre o que a consulta fez.

O que fazer com isso hoje?

A primeira ação é parar de usar o dia verde como autorização de um swing de cinco pregões. Nesta amostra, essa autorização vale o mesmo que não ter autorização: +0,240% contra +0,256%.

A segunda é, se a pergunta for reversão depois de um dia feio, tratar +0,520% depois de −2% como o que é: 189 casos, erro 0,359, observação. Serve para desconfiar da pressa de "realizar" no primeiro vermelho forte. Não serve para montar uma regra.

A terceira é medir os próprios swings com o mesmo horizonte fixo. Cinco pregões depois da entrada, sem mudar o prazo quando o resultado desagrada. A comparação com esta tabela só é justa se o prazo for o mesmo.

Os 3.143 blocos são 3.143 experiências independentes?

Não. Cada pregão abre uma nova janela de cinco fechamentos, e janelas vizinhas compartilham boa parte do caminho. Se uma semana foi muito forte, ela influencia várias linhas consecutivas. A contagem descreve quantos pontos de partida completos existem na série; não transforma cada ponto em um experimento isolado lançado por um mercado novo.

Isso não invalida a média descritiva. Ela responde corretamente quanto renderam os cinco fechamentos seguintes a cada dia zero da amostra. O cuidado aparece quando alguém tenta converter o erro padrão em certeza causal ou tratar a quantidade de linhas como quantidade equivalente de apostas independentes. A sobreposição deixa a informação mais parecida entre observações vizinhas, e o artigo não calculou um ajuste específico para essa dependência.

Por esse motivo, as diferenças pequenas merecem ainda mais prudência. +0,240% depois de alta e +0,256% na base já estão próximas antes de discutir dependência. A sobreposição não cria uma vantagem escondida; apenas reforça que não cabe vender precisão maior que a consulta oferece. Um teste operacional teria de definir entradas que não se sobrepõem ou permitir posições simultâneas de modo explícito.

Por que comparar com a taxa-base muda a conclusão?

Porque o Ibovespa não começa cada janela em zero econômico. Na própria amostra, qualquer bloco de cinco pregões teve retorno médio positivo e maioria de blocos positivos. Uma regra que compra depois de um dia verde herda essa tendência geral mesmo que o dia verde não acrescente informação. Comparar apenas com zero credita ao gatilho aquilo que a série já fazia sem ele.

A linha depois de alta ilustra o ponto: o resultado parece positivo quando lido sozinho, mas fica abaixo da média incondicional. Isso não prova uma estratégia vendida nem recomenda operar o contrário. Mostra apenas que o sinal proposto não melhorou o denominador escolhido. A mesma disciplina vale para a linha depois de baixa e para os cortes de 1% e 2%: primeiro se pergunta o que mudou em relação à base, depois se discute se a diferença cabe no erro.

O denominador também protege contra seleção de memória. Um swing vencedor depois de um dia forte é fácil de lembrar; os blocos positivos que começaram sem dia forte raramente recebem um nome. A taxa-base devolve esses casos esquecidos à comparação. Sem ela, qualquer condição frequente pode parecer responsável por um movimento que aconteceria de todo modo.

O que seria necessário para transformar a observação em estratégia?

Seria necessário escolher um instrumento negociável, fixar o preço de entrada após o dia zero, impedir informação futura na seleção, definir a saída no quinto fechamento e descontar custo. Também seria preciso dizer se uma nova entrada pode nascer enquanto a anterior ainda ocupa parte da mesma janela. Essas escolhas mudam a quantidade de posições e o risco acumulado; nenhuma está implícita na tabela.

Depois viria a validação fora do recorte usado para formular a regra. As linhas de quedas maiores e sequências longas são tentadoras justamente porque aparecem na ponta da tabela. Escolher a melhor depois de olhar todas e testá-la nos mesmos dados mede seleção, não robustez. Aqui elas permanecem observações declaradas, e o resultado líquido de qualquer regra continua N/D.

Procedência

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Full article in Portuguese. Summary of what was measured: 3,143 Ibovespa daily-close blocks (day zero from 3 Jan 2014 to 1 Sep 2026) with a complete five-session forward window. Measured Sep 9, 2026.

Key findings:

Not a swing-trade backtest. No costs. The tradable instrument (mini index) is not the index. Individual stocks are N/D.

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